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O que é codependência PDF Imprimir E-mail
Dom, 16 de Maio de 2010 20:26
É possível olhar a codependência observando características assumidas por uma pessoa, mas só faz sentido essa expressão dentro de relacionamentos, na família, no trabalho, instituições, na sociedade. Trata-se de um estilo, um padrão de relacionamentos, por isso envolve no mínimo duas pessoas.

Podemos dizer que a codependência é uma condição emocional, comportamental e relacional que se desenvolve desce a infância em ambientes opressivos e fechados à expressão de sentimentos e à conversa franca sobre problemas pessoais e interpessoais. É uma herança que vai se constituindo numa trama de geração em geração, embora não se saiba se existe de fato uma propensão genética, como em outros transtornos. 

Filhos de pais sem espaço emocional para eles, que no ambiente hostil vão aprendendo sua insignificância, a envergonhar-se de seus sentimentos, carências e necessidades e vão descobrindo que não podem ser amados, mas podem ser úteis. Sem abertura para expressar suas necessidades de afeto, auto-estima, segurança, confiança e sem liberdade para brincar, sujeitas continuamente ao abuso psicológico e muitas vezes físico e/ou sexual, se sentem abandonados por seus cuidadores. Não raro, muito cedo funcionam como pais de seus pais, o que lhe dá um lugar (superior) perante os outros.

Na vivência de suas carências, da vergonha (inferioridade) e da responsabilidade inadequadamente imposta dentro do relacionamento familiar (superioridade), a criança aprende a esconder seus sentimentos até dela mesma. Pode se estruturar oscilando entre sentimentos contraditórios de inferioridade e superioridade, de raiva não expressada e cuidados, de uma necessidade de existir que vai tomando forma, característica principal da codependência, de uma tendência obsessivo-compulsiva de dar amor/altruísmo ao outro para merecer/receber amor/reconhecimento, e assim evitar sentimentos de menos-valia, mesmo que a pessoa não tenha consciência ou não fale isso claramente.

Cresce se  sentindo mais a vontade perto de pessoas “fracas” e que “precisam” dela, dependentes químicos ou não, fazendo disso o sentido de sua existência. Trabalha muito, é poderosa, tem comportamentos extremos e compulsivos “de ajuda” para sentir que existe, que está no controle.

A expressão codependência já mudou seu significado com o tempo. Antes, se dizia que codependentes eram as esposas de alcoólicos. Mas hoje já se entende que a codependência abrange muito mais que isso. Em meu livro “Codependência: o transtorno e a intervenção em rede” proponho que ela seja entendida como uma doença e que precisa ser tratada porque é grave e leva as pessoas a agir dentro da família, no trabalho e até mesmo no lazer de um modo que nem a pessoa nem quem convive com ela se sintam muito bem.

Essa doença costuma durar por toda a vida se não for tratada e por isso proponho que seja reconhecida como um transtorno de personalidade, porque a própria pessoa sofre e também sofremos outros ao seu redor. Pode acontecer com homens e com mulheres. Sempre atinge várias pessoas, que ficam emboladas nessa confusão. Sem querer o codependente controla os outros e acaba assumindo a maior parte das responsabilidades da casa e os outros ficam folgados, acabam se acostumando a deixar tudo nas suas costas. Ficam dependentes dele.

No relacionamento conjugal um trabalha demais e o outro de menos; o relacionamento afetivo não é muito claro e há muito rancor, não se conversa com liberdade ainda que as pessoas briguem e “atiram pedras” uns nos outros. O relacionamento sexual é cheio de negócios implícitos, um cede para acalmar o outro, é meio na base da troca, mesmo que isso não seja claramente conversado, cada um “já sabe” como é.

Muitas vezes o codependente se sente estuprado, explorado pelo outro, desrespeitado. Mas não consegue conversar sobre isso. Ou se cala ou grita. Como as conversas não são claras (porque viram briga) cada um pensa que já sabe o que esperar do outro. Mas na verdade parece que está sempre prestes a explodir, qualquer coisa machuca tanto que os rancores vão crescendo, mesmo que a pessoa não perceba isso e pense que sempre leva tudo sozinha.
Alem disso é tão difícil sair desse relacionamento – e quando consegue sair, acaba caindo em outro do mesmo estilo, parece muito azar: sempre acaba se envolvendo com pessoas complicadas e instáveis. Mesmo detestando essa palavra a pessoa se sente muito vítima da situação. E ainda que lhe pareça absurdo, quem convive com ela (ou ele) também se sente vítima, mas para ela é a cruz de sua vida. Há uma grande dificuldade em se reconhecer que cada um é um tanto responsável por essa situação. Mesmo que não dê para sair sozinho disso.
Além disso, a pessoa é tão tolerante...até consegue berrar: basta! Mas não consegue se fazer respeitar e dali a pouco tudo acontece novamente, fica eternamente dando uma “última chance” ao outro, mesmo que esteja muito magoada, traída, desrespeitada, lesada. É bem difícil a própria pessoa perceber, mas ela também tem dificuldades em não invadir o limite do outro. Avança, invade, vai no trabalho do outro, tenta controlá-lo...mesmo que seja para o bem dele. E guarda muito rancor, o mundo está sempre magoando.

Seu humor varia muito, hora está no céu, hora no inferno. Hora se sente um herói, ora tão porcaria que até ele mesmo sente dó, mesmo que isso dê raiva. E como é duro quando alguém critica; ninguém entende que tudo que faz é pelo bem dos outros. Pensar em si mesmo é sempre a última coisa. Geralmente faz primeiro pelos outros, mesmo passando por cima de suas próprias necessidades.


Por Maria Aparecida Junqueira Zampieri

 

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